28.1.21

Ah, feliz é a rapariga da papelaria que fracassou no amor, largou os estudos pelo meio e atrás do balcão se chora do pouco que fez pela vida, mas tem hoje, apesar de tudo isso e a todas as horas, uma fila de clientes à porta. Sem mãos a medir, escoa jornais, revistas, títulos de viagem, tabaco, raspadinhas, bom dia e boa tarde, chove muito, chove menos, já lhe dei o troco?, adeus, até amanhã, como num dia banal de um mundo tão antigo e tão ciente que já nada o desarranja.