26.7.18

Roda viva

Os meus colegas têm todos à volta de seiscentos amigos no facebook, alguns já mortos, e seguem outro tanto de serviços e marcas. Dia após dia, engolem a torrente de informação publicada, os bons dias, as fotos das férias, dos filhos, do cão e do gato, leem as reclamações sobre maus atendimentos, os elogios aos bons restaurantes, põem gostos nos vídeos disto e daquilo, nas novidades das lojas, nas ações de marketing que aparentam um mundo amigo e solidário. E ainda há as notícias, as petições, as atualizações, as partilhas, tudo pingando diante dos seus olhos a cada segundo, um carrossel vertiginoso de histórias, promessas e emoções, girando a correr, exibindo as suas cores, causando desassossego e despertando apetites. E a cada momento eles leem e gostam e seguem, assíduos, exemplarmente obedientes, embalados na roda viva sem cansaço nem tontura.
O que eles não aguentam e lhes dá cabo da paciência – já mo disseram – é viajar com taxistas faladores que contam a vida toda.