28.7.18

Consolação

Acordei esta manhã adorando o mais velho, não propriamente como se adora um filho, mas como se adora uma escultura, uma peça feita para contemplação e exaltação dos sentidos. Seminu, respirando tranquilo nos braços de Morfeu, não deu pela minha mão correndo-lhe a cabeça, as costas, as nádegas, as pernas, os pés, nem pressentiu que eu estivesse a perguntar-me como se fez de homem aquele corpo que com tanto cuidado e respeito me saiu do ventre. E achei-o tão belo, tão raro, a pele tão macia, a musculatura tão atlética, os dedos tão longos e delicados, todo ele de uma virilidade tão sóbria, com tal harmonia de proporções e tamanha perfeição de linhas, que duvidei que fosse meu.
Tolos os que tomam a beleza por coisa menor e os que a acusam de ser engano e armadilha. Num universo onde quase tudo é angústia e mistério, a beleza é a maior, senão a única consolação que nos é dada.