19.2.18

Om

Gemem as sirenes, roncam os motores, gritam as buzinas, zumbem os aviões, disparam os alarmes, papagueiam as chamadas em alta voz. A cidade ou bem que chora ou bem que protesta, ninguém tem consolo nem cómodo. Ao entoar o mantra, julgando-me a salvo do caos e das preocupações mundanas, protegida pela penumbra dourada e pelo aroma do incenso, reparo que faço coro. Não distingo, a certa altura, entre a minha voz e os sons da rua. Sentada em padmasana, fantasio a harmonia universal com o mesmo propósito de qualquer um que buzine na fila do trânsito: a libertação.