24.5.17

Obra

Vejo o amor como coisa tão simples que muito poucos embarcam no assunto comigo. É uma ponte, digo, e a minha versão parece-lhes fria, grosseira, sem encanto. Oh, que tristeza cada um na sua margem, dizem, e entre eles um rio que em dias maus arrasta lama, lodo, lixo, restos, mortos. Como consideram o amor um templo de cúpulas apontadas aos céus, onde a gente se ajoelha, reza e pede, um lugar de adulações, oferendas e sacrifícios, desiludem-se por eu ver nele uma vulgar obra de engenharia e achá-lo perfeito assim.