29.5.17

Autoridade

Numa feira do livro em saldo, de onde saí de mãos a abanar, a adolescente reclamava baixinho com o pai, apressado de ir ver a bola: mas eu ainda não encontrei o que procuro, papá! O homem, à roda dos quarenta, colarinhos levantados, barba num falso descuido, olhar de viés pousando de fêmea em fêmea, bufou. 
- Mas que queres tu, afinal? 
- Quero Um Amor de Perdição, um qualquer, deve haver tantos...
Ele deu um jeito aos colarinhos, pegou num livro ao calhas, folheou-o sem o ver, e exerceu como soube a sua autoridade paterna:
- Não te metas nisso, Maria Francisca!