17.2.17

Feminista

Desconforta-me o recurso de certas mulheres à exibição do corpo como forma de reclamar a igualdade de género. O meu corpo de fêmea, não o desbarato nem o renego. Cuido dele com amor, para que a passagem dos anos não me seja muito severa. Não me importo de sangrar. Concedo que os meus humores estejam sujeitos às luas. Prefiro dez filhos a rasgarem-me do que um só bisturi que me corte. Porém, são íntimas e sagradas as minhas linhas, as fontes de alimento e prazer, os lugares onde sou vigiada por sondas com uma regularidade obrigada. Tudo no corpo de fêmea é ponteiro do tempo, arritmia, imprevisto, até traição. Não havendo como contrariar essa natureza ou igualá-la a outras, respeito-a, admiro-a, salvaguardo-a, por mais que doa, nauseie ou deixe mácula. 
É a minha forma de ser feminista e orgulhosa, em nada incompatível com o exercício pleno dos meus direitos.