1.2.17

Eutanásia

A morte, que é, entre todos os tabus, o mais injustificado, anda a ser dissecada com pinças e paninhos quentes pelos colunistas que hoje reincidem no tema. Alguns sabem muito de História, de Teologia, de Filosofia, citam nomes grandes, aparentam ter de cor todas as constituições, escudam-se em conhecimento livresco, de acordo com..segundo os princípios elementares da...considerando as teorias de... Serei estúpida por não perceber que verdade, afinal, apregoam, se têm de facto opinião e de onde lhes vem o direito ao lugar cativo de mil carateres por semana, tantas vezes mal escritos e ofensivos para quem tenha dois dedos de testa. O teatro do debate público é isto: qualquer coisa sem chama nem compromisso, que mais baralha do que elucida e que passa rasteira quando parece estar a iluminar o caminho.

(Qualquer um que já se tenha visto na iminência de, com as próprias mãos, dar o golpe de misericórdia, sabe que a voz do médico, do juiz e do padre são ciência vaga, sentença inválida, moral sem aplicação. Direitos? Deveres? Liberdades? Juramentos? Não há cartilha ou lei fundamental que não possam ser esmagadas quando um Deus maior e mais urgente é revelado nos olhos de quem se ama.)