15.2.17

Contenção

Talvez o mundo mereça que de vez em quando se diga bem dele e se confie nas suas intenções. É, porém, difícil escrever sobre o que nos assenta, perfeito, no coração: prados verdes, alvoradas limpas, palavras de amor e lealdade, instantes próximos do absoluto, visões que revelam uma lógica justa e digna, horas em que o mal vivido mostra o seu benigno reverso. As minhas alegrias têm uma pobre equivalência verbal. Diminuem-se quando amarradas na sintaxe. Murcham no rigoroso espartilho de vírgulas e pontos. Valem nada lidas fora do círculo íntimo e pessoal. Além disso, ao contrário das tristezas, dos males, das dúvidas, dos desesperos, as alegrias são para fazer durar. E se as exprimo, começo logo a perdê-las.