13.12.16

Vende-se

Os dias em que não te encontro, era capaz de os vender num desses mercados online onde um par de horas basta para despachar o que não serve. Vendê-los-ia assim como são, já usados, de corpo anémico, coitados, desbotadinhos, sem espessura nem fôlego. Porém, quantos há que compram inutilidades, sem se importarem com marcas do tempo, pontas soltas, buracos negros? Saber-lhes as razões não importa. Às vezes só querem ocupar um espaço vago, uma hora de apatia, um temor de solidão. Que comprem esses meus dias, cheios de coisas boas que os meus olhos não viram por me faltares. Que a uns dê prazer o que a outros dá tristeza ou transtorno. Que uns recuperem o que para outros é lixo. Não há outra forma de o universo manter o equilíbrio a não ser em movimento.
Ninguém desconfiaria, porque só eu noto, que esses dias levam defeito. E o defeito é tu não estares.