7.12.16

Comigo está tudo bem

Há cada vez mais mulheres a cometerem crimes violentos. Quando uma tragédia nos comove em massa é porque tem uma de duas características: ou abala a nossa exemplar Europa ou as vítimas são jogadores de futebol. Somos pobrezinhos mas, fazendo fé nas sugestões para o Natal, continuamos pirosos e berrantes, com o predomínio do dourado e dos padrões felinos. O homem do snack da esquina usa luvas como mandam as regras de higiene, mas com as mesmas que prepara a comida ampara a boca ao tossir. Na rua, os donos dos cães perguntam-me se os meus filhos são mansos quando eles se chegam para fazer uma festa. A solidariedade é uma mina. A cara do António Costa ao lado dos reis de Espanha lembrou-me a minha, bacoca e deslumbrada, quando um pintor célebre viu os meus desenhos e me fez uma festa na cabeça, tinha eu nove anos. A preocupação com a humanidade continua a ser muito bem simulada: noticia-se o que desde sempre é sabido e conveniente como se tivesse sido acabado de descobrir, desde o mau uso dos medicamentos até à indigna exploração de mão de obra. O mundo é um lugar francamente mau. Não tão mau quanto os jornais nos querem fazer crer, mas pior ainda.