2.11.16

Urgência

Cinco anos sem pôr os pés num hospital e cai-me o queixo. O quádruplo em taxas moderadoras, um décimo da eficácia clínica, da qualidade no atendimento e da sensibilidade. O serviço nacional de saúde - que sempre defendi e preferi - cobra mais caro enquanto sucumbe, como outros, à humidade nas paredes, ao azedume dos profissionais, ao cenário de abandono, a dolorosas e solitárias esperas.
Este é o país em que os impostos não servem para manter a segurança, a eficiência e a estabilidade da máquina, mas para tapar buracos. Caro cidadão, empreste-me aí mais cinquenta euros para uma urgência, assim que possível devolvemos, nem que seja preciso pedir a outro. O retorno será sempre na proporção inversa da quantia pedida. Mas está tudo bem comigo, sou imune a certas ilusões, nunca contei ser salva pela esquerda, pela direita e muito menos pelo centro. Não sou tola de confiar numa gestão com mil anos de maus vícios.