6.10.16

Os meus inimigos

Muitos dos meus inimigos, venci-os sem desembainhar a espada. Findas as batalhas, reparei como eles se haviam transformado. Nos seus olhos, que eu jurava chisparem, havia apenas o brilho vital das emoções. No modo de incharem o peito, onde eu vira arrogância e tirania, havia só o medo do chão rasteiro onde nos sepultam e esquecem. Até as palavras, que me pareciam amargas e cortantes, não eram mais do que o assomo de velhos fantasmas, más memórias, sonhos descartados. E reparando com vagar e consciência nisto tudo, constatei, pela primeira vez, que eles nem sequer estavam armados.