12.7.16

Um homem

Um homem vindo dos arredores da capital bateu-me. Bom, não em mim, mas no meu carro. Muita gente passou e não parou a não ser para apreciar o dano material, que o dano causado aos nervos importa pouco. Até os conhecidos, depois de satisfeita a curiosidade, logo seguiram acenando até amanhãEra dia de jogo da seleção, havia muita pressa e ansiedade nas ruas. 
Quase uma semana depois, recebo, desse homem que me bateu e prontamente pagou, a mais inesperada e improvável de todas as mensagens. Chegou-me às primeiras horas da manhã, valeu para o resto do dia, valerá por toda a semana e por muitos anos.
Não sei se é mais triste ou mais reconfortante isto de encontrar em estranhos o que dos que estão perto muitas vezes não se recebe. O mundo raramente é o que julgamos. O melhor é não julgar coisa alguma, manter a confiança mas nunca a desbaratar.