29.6.16

Atentados

Talvez a maioria de nós nunca tenha sido feliz em Bruxelas ou em Istambul. Mas em Paris quase todos o fomos e por isso chorámos tanto dessa vez e escrevemos lençóis de poética intenção e pintámos as identidades virtuais com as cores da França e impingimos as nossas memórias da cidade das luzes presumindo que a todos interessariam e, naquele dia, mais valeriam. Até na solidariedade somos egocêntricos. O que damos é muitas vezes à troca de uma recordação, um espelho, uma ideia que nos dê sentido à caminhada, qualquer coisa que nos lembre que somos vivos e sensíveis.

Ou então estamos apenas a habituar-nos.