4.4.16

O filho de Magda (2)

Foi a estagiária quem me disse que o filho de Magda nunca autorizou a mulher a pintar-se. É muito velho? perguntei. Cinquentas...
Uma vez, tendo ela roído um sabugo, correu sangue e, mesmo depois de lavar, ao redor da unha secou um fiozinho vermelho-escuro. Julgando serem restos de verniz clandestinamente usado, ele perguntou de onde vinha o disparate e, sem querer resposta, assentou-lhe a mão na cara duas vezes seguidas. Foi o primeiro ato de desprezo pelos conselhos maternos. Nessa mesma noite, conceberam o terceiro filho. Sabem que assim foi porque havia muito tempo que não se tocavam nem voltaram a tocar-se depois. E quem contou à estagiária foi uma das filhas mais velhas, pronta a arranjar desculpa para aquela miséria. Pelo menos o meu pai não é um malandro, estudou e é trabalhador. Ninguém tem o que dizer dele.