15.4.16

Intervalo inevitável

Perguntaram-me se acaso pretendia eu insinuar, no texto de ontem, que os gordos deveriam morrer. Que hei de responder?

Dizia há dias o Xilre, um dos raríssimos blogues aonde não vou por rotina mas por devoção, que as mulheres quando contam histórias mostram, ao invés dos homens, que insistem em dizer. Presunçosamente, incluí-me naquele elogio, até porque com a idade vou perdendo o hábito de afirmar e ganhando o gosto de contar. Pois se já nem eu sei que diga do tanto que vejo!!! Talvez por isso tenha guardado os textos antigos deste blogue, muitos deles pareciam-me excessivos em certezas e as certezas embaçam os horizontes, põem-nos o pé no travão. 
Do que se conta, conclui cada um o que mais lhe importa, magoa ou alivia. Já lá vai o tempo em que eu cuidava que o desentendimento era ou culpa de quem mal fala ou culpa de quem mal ouve. Hoje sei que a culpa é do intervalo inevitável que há entre a gente, do espaço vago e fértil onde tudo cabe, tudo se supõe, tudo se espera e de tudo se duvida. E esse tudo é mentira, perspetiva, ilusão.