17.3.16

Notas

Na vida, é tão grande o meu esforço em avançar como o de qualquer outro ser humano. Certa de estar longe do meu próprio ideal e de ser tão vasto e imprevisível o caminho que tenho pela frente como o que já percorri, não baixo os braços no trabalho, colho todos os ensinamentos dos meus filhos, leio o mais que posso para enriquecer, persisto em mudanças, por mais pequenas, e jamais tomarei como definitivo o que hoje sou, tenho, posso ou me falta. Tão diferente do que há dez anos era, pergunto-me como serei quando outro tanto passar. O destino tem uma palavra a dizer, mas a resposta quem a dará se não eu própria?
Porém, aqui não venho para desfilar as vitórias e os fracassos que, neste avançar, me sucedem. Importam pouco as minhas maiores experiências, tentativas, planos, perdas ou desilusões. Venho aqui para um merecido repouso. Venho para contar do que vi nos intervalos da corrida, miudezas, trivialidades, fragmentos, curvas ligeiras, incidências de luz, coisas que acidentalmente me ocorrem, verdades passageiras, nada que explique o mundo, muito menos que o salve. Este não é o meu palco, a minha prova de forças, talento, resistência ou caráter. Este é só o caderno de notas de uma vulgar espetadora. Preservo-o com a esperança de que o que vejo me torne melhor no papel que me cabe.