9.3.16

Juventude

Não sou uma dessas mulheres que acha conforto na ideia de que a juventude de espírito é que conta. Tenho medo de envelhecer. Se quiser posso mentir na idade, a genética favoreceu-me, muitos duvidam que seja mãe dos meus filhos. Mas qual o ganho? O meu corpo há de ir morrendo como qualquer outro. Os ossos amolecerão, o ventre secará, esquecerei miudezas, terei medo de estar só. Posso insistir em usar cabelos longos, calças de ganga, saias rodadas, mas à noite há de faltar-me a coragem de despir tudo em frente ao espelho e embater na minha própria nudez.
De resto, também não havia de ser a juventude de espírito a valer-me. Sou pouco foliona, pouco crente e pouco surpreendida. Quando começar a envelhecer por fora, já estarei velha por dentro há muito tempo.